Das metas à execução, MARE reúne entidades responsáveis pelo restauro da natureza em Portugal
Mesa-redonda realiza-se a 9 de outubro, na Universidade Politécnica de Setúbal, e coloca em debate a aplicação do Plano Nacional de Restauro da Natureza nos rios, estuários, costa e mar. Sado e Arrábida são exemplos dos desafios que se colocam no terreno.
Como transformar as metas de restauro da natureza em intervenções concretas nos rios, estuários e no mar?
Esta será a questão central de uma mesa-redonda promovida pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, no dia 9 de outubro, entre as 15h30 e as 16h30, na Universidade Politécnica de Setúbal, no âmbito do Encontro MARE 2026.
A sessão, aberta ao público, acontece num momento em que está a ser finalizado o Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN), depois da consulta pública realizada entre julho e agosto. O Plano decorre do Regulamento Europeu do Restauro da Natureza e deverá orientar a recuperação dos ecossistemas portugueses nas próximas décadas.
Portugal terá de colocar em prática medidas de restauro em pelo menos 20% das áreas terrestres e marinhas até 2030 e, até 2050, todos os ecossistemas que necessitem de recuperação deverão estar em processo de restauro. A versão submetida a consulta pública prevê 407 medidas e aponta para um investimento de 500 milhões de euros por ano até 2030.
Sado e Arrábida mostram o desafio à escala local
Na região de Setúbal, o desafio do restauro da natureza ganha uma dimensão muito concreta.
O estuário do Sado alberga pradarias marinhas de Zostera e é, juntamente com o Algarve, o único local do continente onde ocorre a erva marinha Cymodocea nodosa. Estes habitats funcionam como zonas de reprodução, abrigo e alimentação de várias espécies, sustentam pescarias e contribuem para a proteção contra a erosão costeira e para o sequestro de carbono.
A Arrábida, por sua vez, corresponde ao limite sul da distribuição de Laminaria ochroleuca, uma das espécies formadoras de florestas marinhas. A ZEC Estuário do Sado e o Parque Natural da Arrábida estão também entre as áreas classificadas onde o Plano identifica habitats marinhos abrangidos pelo Regulamento Europeu do Restauro da Natureza.
Também nos rios existem desafios concretos. Na região hidrográfica do Sado e Mira, o Plano identifica oito sub-bacias prioritárias, abrangendo cerca de 722 quilómetros de cursos de água. É nestas áreas que se propõe concentrar a remoção de barreiras obsoletas e a recuperação das margens, favorecendo a circulação dos peixes nativos, em particular das espécies migradoras.
Ciência para decidir onde e como restaurar
O MARE contribuiu diretamente para o conhecimento científico e técnico utilizado na preparação do Plano. Na componente de água doce, o relatório técnico dedicado à conectividade natural dos rios contou com assistência técnica do MARE da Universidade de Évora. A metodologia aplicada na seleção dos rios e sub-bacias prioritários para remoção de barreiras tem origem no Programa de Remoção de Infraestruturas Hidráulicas Obsoletas (PRIHO), que resultou de uma parceria entre a Agência Portuguesa do Ambiente, a Universidade de Évora, o MARE e o ARNET. O contributo do MARE estendeu-se ainda à proposta final do Plano, nas matérias relativas aos ecossistemas de água doce.
Na componente marinha, investigadores do MARE participaram no trabalho técnico e forneceram informação que serviu de base ao Plano. Dados do centro contribuíram, nomeadamente, para estimar no continente a área de pradarias marinhas, florestas de macroalgas e jazigos conquilícolas.
A dimensão do desafio é significativa. Nos rios do continente estão identificadas 15.584 barreiras, enquanto no meio marinho persistem importantes lacunas de conhecimento: cerca de 32.946 km² de habitats marinhos apresentam estado desconhecido.
Das metas à execução
É precisamente a passagem do diagnóstico e das metas para a execução que estará no centro da mesa-redonda “Plano Nacional de Restauro da Natureza: Implementação das Metas para Ecossistemas de Água Doce e Marinhos”.
A sessão pretende reunir representantes de entidades públicas com responsabilidades na implementação do Plano e uma organização não-governamental, perante a comunidade científica que trabalha sobre estes ecossistemas.
Entre os temas em discussão estarão as medidas e metas para a água doce, costa e mar, os obstáculos à implementação, a articulação entre diferentes entidades, a governança e coordenação e o envolvimento das comunidades locais e dos jovens.
A mesa-redonda integra o Encontro MARE 2026, que decorre nos dias 8 e 9 de outubro, na Universidade Politécnica de Setúbal, reunindo as diferentes unidades regionais de investigação do centro.
Texto da responsabilidade da empresa.
Fonte: LPM Comunicação